Kayo e Kevin têm trajetórias separadas por alguns anos, mas conectadas por um mesmo ponto de partida: o programa Jovem Aprendiz do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM). Foi ali que ambos tiveram o primeiro contato com o mercado de trabalho e deram início a caminhos que hoje os mantêm dentro da própria Corte de Contas amazonense.
Kevin Silveira entrou no programa em 2018, aos 21 anos. Hoje, aos 29, atua como encarregado de serviços no Tribunal e resume a experiência como um marco na própria trajetória. “Foi muito mais do que um simples trabalho. Foi uma verdadeira escola de formação, que contribuiu tanto para a minha vida profissional quanto pessoal”, afirma.

Segundo ele, foi durante o período como aprendiz que decidiu investir na qualificação. “Foi quando comecei a faculdade de Administração. Quando terminou o programa, iniciei meu MBA em gestão de negócios”, conta. O vínculo com o TCE-AM acabou se tornando permanente. “O programa abriu portas e me possibilitou retornar. Hoje posso contribuir com a instituição que me ensinou e continua ensinando todos os dias”.
História semelhante viveu Kayo Silva, que ingressou como jovem aprendiz em 2012, aos 17 anos, atuando no setor de cerimonial. “Foi um divisor de águas. Ali tive minha primeira experiência profissional e aprendi sobre responsabilidade, disciplina e a importância do serviço público”, relembra.

Após a passagem pelo Tribunal, Kayo seguiu carreira no Exército Brasileiro por oito anos. Anos depois, retornou ao TCE-AM, onde hoje integra novamente o cerimonial. “Representa a continuidade de um propósito que começou lá atrás. É um ciclo que se fortalece com o desejo de servir cada vez melhor à sociedade”, afirma. Formado em Engenharia Elétrica, ele também buscou especializações na área ao longo do caminho.
Passado, presente e futuro
As duas trajetórias ajudam a dimensionar o impacto de um programa que existe há mais de três décadas no Tribunal e segue sendo porta de entrada para jovens em situação de vulnerabilidade social.
Atualmente, o TCE-AM conta com 72 jovens aprendizes, com idades entre 14 e 19 anos, distribuídos em diversos setores administrativos. Eles permanecem por até dois anos, recebem salário mínimo proporcional à carga horária e saem com certificação de agente administrativo, além de acompanhamento social, psicológico e capacitação profissional.
Expansão
A partir de 2024, o programa passou por uma mudança relevante. Durante a segunda gestão da conselheira-presidente Yara Amazônia Lins, houve a inclusão de meninas nas turmas, que antes eram formadas apenas por meninos.
Na avaliação da conselheira-presidente, o programa cumpre um papel estratégico. “É uma oportunidade real de transformação na vida desses jovens. O Tribunal não apenas abre portas para o mercado de trabalho, mas contribui para a formação cidadã e profissional deles”, destaca.
A chefe da Divisão de Assistência Social (Dias), Etelvina Andrade, aponta que a medida atende a uma diretriz institucional mais ampla. “Houve uma preocupação da presidente em ampliar o alcance do programa e garantir mais equidade. A inclusão das meninas fortalece esse caráter social e inclusivo da iniciativa”, explica.
A iniciativa é realizada em parceria com a Associação para o Desenvolvimento Coesivo da Amazônia (Adcam). Segundo o diretor executivo da instituição, o programa vai além da experiência prática. “A aprendizagem profissional oferece uma oportunidade concreta de primeiro emprego com orientação adequada. Os jovens desenvolvem competências técnicas, mas também habilidades como responsabilidade, trabalho em equipe e autonomia”, resume.
Ele destaca ainda o alcance social da iniciativa. “É um projeto que amplia perspectivas de futuro, reduz desigualdades e fortalece a cidadania desses jovens”.
O modelo segue as diretrizes da Lei da Aprendizagem (nº 10.097/2000), que prevê a inserção de jovens no mercado de trabalho com direitos garantidos, aliando formação teórica e prática profissional.
