O prefeito de Manaus, Renato Junior, afirmou nesta terça-feira (21) que o Governo do Amazonas não realizou integralmente os repasses destinados ao custeio do Passe Livre Estudantil da rede estadual. Segundo ele, a situação contribuiu para a greve dos rodoviários, iniciada na segunda-feira (20). A declaração foi feita durante coletiva de imprensa no Centro de Cooperação da Cidade (CCC).
Durante a coletiva, Renato Junior afirmou que a Prefeitura mantém em dia os repasses de sua responsabilidade ao sistema de transporte coletivo. Segundo ele, o município já destinou R$ 284 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e sustentou que o Governo do Amazonas ainda não quitou os valores de sua responsabilidade referentes ao custeio do Passe Livre Estudantil da rede estadual.
Ao comentar a paralisação, o prefeito afirmou que considera legítima a reivindicação dos trabalhadores pelo pagamento dos salários e relacionou o impasse à falta de repasses estaduais para o benefício estudantil.
“É legítimo que o trabalhador cobre seu salário. O governador está devendo o Passe Livre Estudantil. A Prefeitura não está devendo o Passe Livre dos alunos da rede municipal”, declarou.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o Sinetram informou que o Governo do Amazonas realizou dois pagamentos referentes ao custeio do benefício em 2025, que somam R$ 31,1 milhões. A entidade, no entanto, afirma que ainda existe um passivo de aproximadamente R$ 44,6 milhões, referente aos créditos disponibilizados aos estudantes da rede estadual até junho de 2026.
Convênio e repasses
Renato Junior relembrou que, na gestão do ex-prefeito David Almeida, foi firmado um convênio entre a Prefeitura de Manaus e o Governo do Amazonas para custear o Passe Livre Estudantil. Segundo ele, o acordo previa que o Estado arcasse com a tarifa técnica do transporte coletivo destinada aos estudantes da rede estadual.
Ainda de acordo com o prefeito, em 2025 o Governo do Amazonas obteve uma liminar autorizando o pagamento apenas da meia-passagem, em vez da tarifa técnica. Renato Junior afirmou que, mesmo após a decisão judicial, os repasses não teriam sido realizados integralmente.
“A Justiça concedeu a liminar e o Governo cumpriu apenas cerca de 60% do que determinava a decisão. Ou seja, ainda deve aproximadamente 40% dos repasses do ano passado”, afirmou.
O prefeito também garantiu que a Prefeitura continuará custeando a gratuidade dos estudantes da rede municipal e afirmou que pretende manter o benefício para evitar prejuízos aos alunos da rede estadual.
O Governo do Amazonas convocou uma coletiva de imprensa para o meio-dia desta terça-feira (21), quando deve apresentar seu posicionamento sobre as declarações do prefeito e os repasses destinados ao Passe Livre Estudantil. A matéria será atualizada após a manifestação oficial.