A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta terça-feira (9), o investigador da Polícia Civil Luciano Granjeiro durante a Operação Piloto de Fuga, em Manaus. A investigação apura a participação de agentes públicos e civis em um esquema ligado ao roubo de 77 barras de ouro avaliadas em cerca de R$ 45 milhões.
Além da prisão preventiva, os agentes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em diferentes regiões da capital. A ação contou com apoio do Ministério Público do Amazonas (MPAM).
PF investiga participação de agentes públicos
Segundo a Polícia Federal, a Operação Piloto de Fuga dá continuidade à Operação Auxílio Criminoso, deflagrada em maio deste ano. As investigações apuram a participação de agentes públicos e de terceiros no roubo e na ocultação de ouro extraído ilegalmente.
De acordo com o delegado da PF, Jonathans Simas, os investigadores identificaram o piloto da viatura que transportou os suspeitos no dia do crime. Além disso, a equipe reuniu provas em um imóvel ligado a um advogado investigado por supostamente esconder evidências.
Ainda segundo a PF, a carga saiu do Pará, passou pelo Amazonas e seguiria para Roraima. Depois, os envolvidos pretendiam enviar o ouro para o exterior.
Durante a operação, equipes da Polícia Federal fizeram buscas no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), unidade onde Luciano Granjeiro atua.
Os investigados poderão responder por roubo, associação criminosa, usurpação de bens da União e fraude processual.
Delegado afirma que investigador apresentou provas de inocência
O delegado Cícero Túlio, titular do 1º DIP, divulgou um comunicado à imprensa e afirmou que a investigação pode ter cometido um equívoco ao relacionar Luciano Granjeiro ao caso.
Segundo ele, o investigador apresentou à PROCEAP registros técnicos e imagens que mostrariam sua permanência em casa, ao lado do filho, no momento dos fatos investigados pela Polícia Federal.
Além disso, o delegado explicou que a investigação passou a citar Luciano porque, no dia seguinte ao crime, ele recolheu veículos e armas que estavam sob responsabilidade do investigador Felipe Pinto, apontado inicialmente nas apurações.
“Consideramos ter havido um equívoco, uma vez que o servidor já apresentou registros técnicos e imagens que revelam que, no momento dos fatos investigados pela Polícia Federal, encontrava-se em sua residência e na companhia do filho”, afirmou Cícero Túlio.
Ainda conforme o delegado, a equipe recolheu os veículos e as armas que estavam sob responsabilidade de Felipe Pinto e comunicou o fato à Delegacia-Geral da Polícia Civil e à Superintendência da Polícia Federal no Amazonas.
Por fim, Cícero Túlio pediu cautela na divulgação das informações e afirmou acreditar que os fatos serão esclarecidos, permitindo o restabelecimento da honra e da imagem do servidor.
Polícia Civil diz que colabora com as investigações
Em nota, a Polícia Civil do Amazonas informou que tomou conhecimento das buscas realizadas pela PF nas dependências do 1º DIP e afirmou colaborar integralmente com as investigações.
Além disso, a instituição destacou que não compactua com irregularidades praticadas por servidores. Por esse motivo, encaminhará o caso à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública, que abrirá um procedimento administrativo para apurar os fatos.
“A PC-AM esclarece que não compactua com qualquer tipo de irregularidade ou desvio de conduta por parte de seus servidores e colabora integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Federal”, informou a corporação.
Relembre o caso
A Polícia Federal iniciou a investigação em outubro de 2025, após apreender 77 barras de ouro avaliadas em aproximadamente R$ 45 milhões.
Na ocasião, agentes prenderam em flagrante dois policiais militares, um policial civil e outros três homens dentro de uma residência em Manaus. Segundo as investigações, o grupo tentava roubar a carga.
Desde então, a PF ampliou as apurações para identificar outros possíveis participantes do esquema. Como resultado, a corporação deflagrou as operações Auxílio Criminoso e, posteriormente, Piloto de Fuga.
