O Projeto Parintins Galeria Cidade Aberta chega a sua 5ª edição. O evento é realizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado Cultura e Economia Criativa do Amazonas, e aconteceu dias 13 e 14 de abril, no auditório do Laboratório de História do Centro de Estudos Superiores de Parintins da Universidade do Estado do Amazonas (Cesp/UEA).
A primeira noite foi dedicada ao homenageado da 5ª edição do Projeto Parintins Galeria Cidade Aberta, o mestre e grande artista plástico e muralista de Parintins Evanil Maciel, com a exibição de um curta-metragem que registra a obra do decano do muralismo em Parintins, com destaque para uma mesa-redonda que buscou evidenciar seu legado nas artes visuais parintinenses.
O curador do projeto, Prof. Dr. Diego Omar, do Cesp/UEA, e os professores Josinaldo Matos e Pito Silva, do Liceu de Artes Cláudio Santoro da Unidade de Parintins, destacaram diferentes aspectos do trabalho de Evanil nesses quase 50 anos onde atua pintando, bem como o grande volume de obras produzidas ao longo das últimas décadas.
O segundo dia foi dedicado à atuação das mulheres, como Mag Magrela, a artista convidada deste ano que apresentou sua trajetória enquanto artista de rua, grafiteira e performer, além dos desafios enfrentados para consolidar seu trabalho em um meio, predominantemente, masculino e, também, discutiu as principais figuras retratadas em seus murais: mulheres com seus corpos e afetos.
Logo em seguida, foi a vez das artistas Kamy Wará e Day Cruz debaterem a importância de mais mulheres nas artes parintinenses e suas atuações nesse processo, no qual vai se pavimentando um caminho para que novas gerações atuem em um ambiente com divisões mais equitativas entre os gêneros. Kamy Wará também destacou o quanto artistas indígenas somam nesse processo, ao trazer para a cena pública suas narrativas, cosmologias e estéticas.
Pela parte da tarde ocorreram duas mesas-redondas: a primeira sobre atuação de artistas parintinenses em outros circuitos culturais, trocas e influências recíprocas que esse tipo de deslocamento ensejam. Mag Lenilson, Andrew Viana e João Ferreira narraram um pouco de suas experiências no carnaval das escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo e o contato enriquecedor com artistas de outras regiões do país.
A segunda mesa-redonda foi sobre o lugar do Galeria hoje, para a valorização de artistas que não estão inseridos, diretamente, na produção dos espetáculos de arena. Esse foi, também, o momento de debater a importância de uma concepção ampliada da festa, que contempla um circuito de artes que extrapola, e muito, aquilo que acontece na arena do bumbódromo.
Para o professor Diego Omar, o evento marcou não apenas o início dos trabalhos, mas um esforço crítico-reflexivo indispensável. Como ele destaca, “não é só fazer arte urbana mas, também, parar um pouquinho para pensar no que estamos fazendo, no impacto social disso tudo e nos desdobramentos que isso tem”, pontuou, Em 2026, o Galeria deve entregar 13 novos murais na cidade, alcançando um quantitativo de 60 obras.