No dia 6 de maio, o Centro de Estudos Superiores de Tabatinga da Universidade do Estado do Amazonas (Cestb/UEA) realizou a exposição “Torü Cua’gü – Nossos Saberes”, levando conhecimentos e tradições do povo Magüta (Ticuna) a estudantes do polo rural indígena de Belém do Solimões. A atividade aconteceu na Escola Municipal Eware Mowatcha e reuniu alunos, professores e o cacique da aldeia em um momento de valorização da cultura e dos saberes indígenas.
A mostra é resultado dos trabalhos desenvolvidos pela turma de Pedagogia Indígena, na disciplina Epistemologias Indígenas e Meio Ambiente, ministrada pela Prof.ª Dra. Gabriela Fernandes.
Dentre as atividades expostas, estão um mural com as “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”, inspirado no pensamento de Ailton Krenak, uma cartografia dos territórios e guardiões dos saberes, que mostra os lugares visitados pela turma numa aula de campo pela comunidade, além do museu dos afetos com itens pessoais dos alunos e suas relações com a ancestralidade e o especial canto de leitura (ügütaetchica) com livros de literatura indígenas e narrativas do povo Ticuna.
Todas as atividades foram construídas pelos discentes do curso e se relacionam com os saberes do povo Magüta e os cuidados com a natureza e o território.
“Um curso de graduação em Belém do Solimões é uma conquista histórica para o movimento indígena e para a UEA, mas também é um desafio muito grande. Atividades como essa são muito importantes, pois ajudam a integrar universidade, escola e comunidade, além de proporcionar aos alunos experiências de pesquisa e extensão que são fundamentais no processo formativo” , declara o coordenador do curso, Prof. Dr Pedro Rapozo.
Belém do Solimões é uma terra indígena demarcada e fica na zona rural do município de Tabatinga, no Alto Solimões. Em 2026, a UEA iniciou a primeira turma de graduação na comunidade.